08/09/2026
Emitir corretamente a nota fiscal de devolução continua entre as rotinas mais sensíveis para a gestão financeira e a conformidade fiscal das empresas. É esse documento que desfaz formalmente, perante o fisco, os efeitos de uma venda que não se concretizou.
Quando a emissão falha ou o Código Fiscal de Operações e de Prestações (CFOP) é enquadrado de forma equivocada, a empresa fica exposta a bitributação, a estoque desalinhado e a divergências em auditorias fiscais.
Proteção do caixa e controle do estoque
A nota de devolução anula os tributos apurados na operação original, como ICMS, PIS e Cofins, e viabiliza o estorno ou a compensação desses valores. É o que impede a empresa de recolher imposto duas vezes sobre um faturamento que não se realizou.
O efeito não é apenas tributário. A devolução mexe diretamente no controle patrimonial: a integração entre o registro fiscal e o módulo de estoque recompõe de imediato o saldo físico das mercadorias. Sem essa atualização, o item não pode ser recolocado à venda e os relatórios de giro de produtos e de margem de lucro ficam distorcidos.
Transição tributária torna a devolução mais complexa
O avanço para o modelo de IVA Dual, formado pelo IBS e pela CBS, adiciona camadas à mecânica da devolução. No período de convivência entre os dois sistemas, uma venda registrada sob a vigência do ICMS e do ISS exige devolução compatível com as regras válidas na data da operação original.
Já as operações regidas pelas novas regras seguem o princípio da não cumulatividade plena: a devolução reverte ao mesmo tempo o débito do vendedor e o crédito aproveitado pelo comprador. Isso exige sincronia total nos registros, sob pena de inconsistências nos cruzamentos feitos pelo Comitê Gestor do IBS.
CFOP tem de refletir a operação original
O CFOP escolhido precisa espelhar com exatidão a natureza e a localização geográfica da venda que originou a devolução, já que a numeração inicial indica a direção do fluxo e a origem do destinatário.
Nas devoluções internas de produtos comercializados por terceiros, aplicam-se os códigos 1202 e 5202. Quando a operação envolve estados diferentes, a legislação determina o uso dos códigos 2202 e 6202.
Exigências técnicas e automação
A emissão obriga a vincular, no campo de documentos referenciados, a chave de acesso de 44 dígitos da nota fiscal de origem. O estorno dos impostos deve manter a mesma alíquota, com a proporção recalculada sobre o volume efetivamente devolvido.
Para as empresas optantes pelo Simples Nacional, o estorno não acontece pelo destaque individualizado dos impostos, mas pelo ajuste da base de cálculo da receita bruta usada na apuração do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) do período.
O uso de sistemas de gestão (ERP) integrados reduz o risco de falha manual, ao automatizar o cálculo proporcional dos tributos e sincronizar o faturamento com o estoque, o que ajuda a manter a conformidade diante dos órgãos fiscalizadores.
Fonte: Com informações de Jornal Contábil